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Opinião | Fernando Calmon |

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Fernando Calmon

12/06/2019

Intervencionismo atrapalha

Com alguma frequência, governos mais prejudicam do que ajudam em assuntos que envolvam a indústria automobilística

Governos, com certa frequência, mais prejudicam do que ajudam em assuntos envolvendo a indústria automobilística, por si só bastante complexa por sua extensa cadeia produtiva e os próprios riscos do negócio. Há exemplos agora na França – fusão FCA-Renault – e no Brasil – mudanças no Código de Trânsito.

O bem articulado plano de fusão dos grupos ítalo-americano e francês esbarrou em exigências nada racionais do governo francês, como previsto nessa Coluna. FCA simplesmente retirou sua oferta e deixou os políticos falando sozinhos, após exigências descabidas como manter a sede na França ou garantia absoluta de empregos. Nissan, por sua vez, defendeu maior influência sobre decisões dentro da aliança de duas décadas com a Renault.

A posição brusca da FCA não significa que tudo terminou. O governo da França baixou o tom. Admite diminuir de 15% para 7,5% sua participação (com poder de veto) na Renault e também acena para um papel maior da Nissan que se diz prejudicada por ser, ultimamente, maior que a Renault em produção e resultados. O imbróglio não está fácil de resolver. O negócio ainda pode sair, sem se tornar uma novela por meses.

Aqui, mudanças por projeto de lei do Código de Trânsito Brasileiro provocam muita polêmica. Quem decidirá é o Congresso, sem prazo. Ninguém desconhece a importância dos banquinhos infantis para segurança das crianças. O Governo Federal sugere trocar a multa por advertência escrita, porém os pontos continuariam a ser lançados no prontuário do motorista. Essa advertência, se bem redigida e com fotos de teste de colisão para maior dramaticidade, tem grande efeito educativo. No entanto, deveria valer, quando muito, apenas para a primeira infração. Mesmo a multa deveria vir acompanhada da advertência.

Hoje, táxis, veículos escolares e carros de aplicativos registrados (considerados de aluguel) não são multados na ausência de dispositivos de retenção. Em outros países isso também levou a grandes discussões. A fiscalização enfrenta percalços por envolver a idade das crianças e até certidões de nascimento.

Quanto ao aumento de 20 para 40 pontos na apreensão da carteira, o meio-termo talvez fosse ideal: 30 pontos. Recentemente, o tempo mínimo de suspensão foi aumentado de um mês para seis meses. Então não parece descabido elevar o limite de pontos, já que também o valor das multas sofreu forte correção. É pouco válida a comparação entre países sem saber o critério utilizado de graduação de pontos. O sistema alemão parece racional ao estabelecer advertência por escrito, quando a pontuação do motorista está próxima ao limite.

Essa discussão estéril sobre “indústria da multa” parece ignorar que a arrecadação é tão elevada que já faz parte do orçamento de muitas prefeituras. Há quem defenda fiscalizar a fiscalização para evitar abusos, argumento risível.

Em um ponto, porém, o governo acertou: faróis acesos de dia só em rodovias de pista simples com mão dupla, se aprovado pelos congressistas. Mesmo neste caso é um equívoco, com mais desvantagens do que vantagens. Os Estados Unidos têm a maior frota do mundo e lá nunca foi obrigatório, depois de vários estudos. O correto, como previsto agora, são luzes de uso diurno (DLR, em inglês) e um prazo de instalação nas fábricas. Aumentar a validade da CNH de cinco para dez anos também é adequado.

ALTA RODA


ANFAVEA revisará para baixo sua previsão de exportações (em razão da forte queda de vendas na Argentina), o que também atingirá a produção em 2019. Fabricantes cortaram vagas ou deram férias, mas o crescimento do mercado interno continua firme: 12,5%. Isso ainda garantirá números de produção maiores em relação a 2018.

QUEM ainda duvidava do acerto do programa Rota 2030, melhor ficar mudo. Já se habilitaram 32 empresas entre fabricantes de veículos e de autopeças. Agrale, PSA e VW foram as primeiras, ainda em dezembro de 2018. FCA, GM e Renault mais recentemente. Todas investirão aqui em pesquisa e desenvolvimento. Nenhuma marca oriental aderiu até o momento.

JETTA GLI com mesmo motor do Volkswagen Golf GTI, 230 cv/35,7 kgfm, foi lançado agora por R$ 144.490. O mexicano tem preço inferior ao hatch produzido no Paraná; surpreende por também ser fracionalmente mais rápido e veloz, apesar de maior massa. Trata-se de um sedã muito prazeroso de dirigir, com ótimo porta-malas (510 litros) e bem equipado.

DEPOIS de pequenos ajustes de preço, o Honda WR-V tornou-se razoavelmente competitivo. Derivação aventureira mais extensa do Fit, ele se destaca pela suspensão robusta e reações previsíveis mesmo com altura de rodagem maior. Estilo na parte traseira é algo exagerado. O câmbio CVT precisa ser usado na posição “S” frequentemente para diminuir a letargia de respostas.

ASSOCIAÇÃO Brasileira de Engenharia Automotiva (sigla AEA) acaba de completar 35 anos. Por meio de seminários e premiações (este ano organizou a 13ª edição dedicada ao meio ambiente), colaborou para vários avanços tecnológicos do País. É mantida por 81 empresas, instituições governamentais e universidades, sempre em equilíbrio.

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fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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