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Opinião | Mark C. Boyadjis |

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Mark C. Boyadjis

26/06/2019

Como a tecnologia vai impactar a expansão do mercado automotivo no Brasil

As vendas devem passar de 3 milhões de unidades em 2022, mas a lucratividade virá de fontes diferentes

Após um período mais longo do que o esperado de instabilidade, dois anos consecutivos de crescimento nas vendas sinalizam que o mercado automotivo brasileiro deverá se estabilizar novamente. A IHS Markit prevê que as vendas anuais de veículos no País ultrapassem 3 milhões de unidades em 2022, em comparação com os 2,46 milhões em 2018 e após o menor nível em 2016, quando foram feitos 2 milhões de emplacamentos.

Existem várias razões para este crescimento, mas o mais interessante é como a indústria automotiva brasileira vai lidar com a constante volatilidade das tendências tecnológicas.

Outros mercados automotivos globais utilizaram inovações para estimular trajetórias de crescimento fortes, como a China e os Estados Unidos.

Dada a geografia favorável e seus recursos naturais, a China se tornou a maior fornecedora de baterias para veículos elétricos, bem como o maior mercado de vendas destes veículos. Antes disso, o mercado automobilístico dos Estados Unidos experimentou baixas históricas no volume de vendas após a recessão global. Inovações tecnológicas que vieram em seguida, como conectividade, ADAS e integração de smartphones, foram um fator significativo para impulsionar a demanda por automóveis, uma vez que a confiança do consumidor havia voltado.

Novas tecnologias podem trazer disrupções para um mercado estável, mas também novas oportunidades capazes de redefinir a dinâmica do setor automotivo no futuro.

TECNOLOGIA COMO AGENTE DE MUDANÇA FUNDAMENTOS DE MERCADO


Os fundamentos que impulsionam os negócios e ditam as estratégias corporativas da indústria automotiva global estão começando a mudar. Os números e estatísticas que a indústria utilizou para medir o sucesso no passado estão se tornando menos importantes.

No futuro, os dados de vendas e produção de veículos estarão menos relacionados à lucratividade, à medida em que o foco passar a ser os usuários diários e quilômetros percorridos. A compra de veículos se tornará uma decisão de capex (despesas de capital ou investimento em bens de capital) para proprietários de frotas e marcas de transportadoras, com a mudança do modelo Car-as-a-Product para o modelo Car-as-a-Service.

As marcas que mantêm a indústria hoje vão se enfraquecer, pois os consumidores tendem a dar mais valor às operadoras do serviço de transporte ou mobilidade do que à fabricante do veículo.

Os principais indicadores dessa mudança podem ser vistos nos investimentos significativos em empresas de ride-hailing e car-sharing, bem como parcerias entre esses players e montadoras globais. A empresa Ola está à procura de veículos personalizados para a sua plataforma na Índia. A chinesa Didi está trabalhando com a Volkswagen na mesma perspectiva, assim como a Uber com a Toyota e a Hyundai-Kia com a Grab.

Enquanto isso, o SoftBank parece ter um montante ilimitado de fundos para investir no crescimento das empresas de serviços de mobilidade, uma vez que elas buscam financiar todos os setores da indústria. Uma notável disputa por participação de mercado também está em andamento, como ilustra a recente compra do aplicativo de transporte 99 por US$ 1 bilhão.

Esses investimentos já são potencialmente rentáveis, à medida que a popularidade desses serviços continua a crescer.

Embora a cultura de propriedade de veículos continue forte nas próximas décadas, a estratégia das montadoras deverá mudar. Em 2035, a IHS Markit prevê 3,5 milhões de vendas de veículos na China no formato Mobility-as-a-Service, principalmente para soluções de ride-hailing. Com essa previsão de alto volume, é óbvio que as montadoras se esforçarão para garantir esses contratos de produção, mas a maior oportunidade está nas plataformas de serviços. Operar essas frotas vai gerar trilhões de dólares, por ano em receitas, resultando em lucros operacionais positivos no balanço final.

UMA NOVA HISTÓRIA DE SUCESSO NO BRASIL?


Nos mercados chinês e norte-americano a tecnologia impulsionou a demanda por novos veículos e redefiniu a base do mercado nessas regiões. Como o Brasil continua a se recuperar, a tecnologia também pode redefinir seu futuro, olhando para o novo modelo do mercado em torno de tecnologias de mobilidade e até mesmo de automação.

No entanto, a incerteza é grande, já que muitas das tecnologias de ponta no mercado automotivo global dependem de bilhões de dólares em investimentos. Embora isso deva ser abordado pelas próprias montadoras, o governo brasileiro poderá promover mais estímulos de infraestrutura e regulamentação que impulsionem o avanço dessas tecnologias, ao mesmo tempo em que fornecem incentivos às estratégias locais de P&D.

A IHS Markit prevê crescimento sustentável no mercado automotivo brasileiro, mas será que esse avanço virá das vendas de veículos pessoais, com alto conteúdo tecnológico? Ou de outros modelos de negócio?

Em uma era de tecnologia disruptiva, o mercado brasileiro está preparado para utilizar as inovações automotivas mais do que nunca. Será emocionante ver como o futuro se desenrola.


Mark C. Boyadjis é Global Technology Lead da divisão Automotive Advisory Services da IHS Markit.

Comentários

  • MARCELORODRIGUES SEARA SALATA

    Acreditoque o Brasil no futuro, por não ter seus fundamentos economicos sólidos, será um expectador da tecnologia com pouca aplicação no país e fornecedor de veículos com baixa tecnologia embarcada para o 3o. mundo. Não consigo ver um país sem estrutura ter condições de adotar tais tecnologias em massa.

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