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Opinião | Paulo Cardamone |

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Paulo Cardamone

27/09/2019

Uma linha de montagem parada por falta de parafusos

Este é o retrato da indústria que não cuida dos pequenos e médios fornecedores

Em artigo anterior sobre as pequenas e médias fabricantes de autopeças, PMEs, destacamos os principais desafios das empresas relacionados à ausência de visão consistente sobre o futuro do mercado em curto e médio prazos, falta de acesso à programação adequada dos pedidos de compra vindos dos clientes Tiers 1 e 2, além da necessidade de criar estoques reguladores para evitar perda de vendas.

Outro entrave citado foi a incapacidade de repasse de custos e consequente falta de capital de giro, o que impacta diretamente a capacidade de investir na evolução produtiva, organizacional, tecnológica e de gestão das pessoas.

É fundamental que montadoras e sistemistas se conscientizem de que a sucumbência das PMEs quebra um elo da cadeia que, por longo período da história, trouxe o terror às linhas de montagem: a parada no meio do dia de linhas de produção pela falta de componentes de baixo valor agregado se comparados aos subsistemas de carroceria, chassi e powertrain já presentes nos transportadores e prestes a finalizar a montagem do veículo.

Os Programas e Projetos Prioritários (PPPs) do Rota 2030, pré-anunciados no XXVII Simea e lançados oficialmente no dia 20 de setembro, são um alento, pois a aplicação de aproximados R$ 200 milhões por ano em projetos “será um potente indutor para incentivar o desenvolvimento de tecnologias avançadas no País, que aumentarão nossa competitividade”, como disse Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. A importância dos PPPs não se discute, mas, definitivamente, eles não atacam os principais problemas das PMEs detalhados acima.

A indústria foca na evolução tecnológica do setor buscando o aumento da competitividade, fator de suma importância para transpormos, no futuro próximo, acordos de comércio com blocos de regiões desenvolvidas como o da Europa. Mas, um fato esquecido é que, enquanto montadoras e Tiers 1 estão migrando para a indústria 4.0, uma grande maioria das pequenas e médias empresas de autopeças ainda tem que evoluir da indústria 2.0 com substancial melhoria do processo de gestão.

DO QUE AS PMES PRECISAM


Para acompanhar a evolução do setor, as PMEs precisam de recursos financeiros reais advindos da melhoria dos resultados positivos de suas operações. Os desafios que os gestores destas empresas enfrentam não podem ser subestimados. Não é preciso ser gênio para entender que o ponto da virada é quando essas empresas conseguem um bom acordo de vendas, renegociação de margens ou um novo negócio.

Antes da digitalização abrangente de suas operações, as PMEs precisam de informações robustas e confiáveis em curto e médio prazos sobre o mercado, programas firmes de produção e condescendência em repasse de custos que lhes garantam flexibilidade e tempo para a tomada de melhores decisões e, consequentemente, obtenção dos resultados que suportarão sua evolução para uma nova era.

Aqueles que querem paz devem se preparar para a guerra! Caso contrário, a sina do setor será a de importar de parafusos a arruelas.

Paulo Cardamone

Bright Consulting

Comentários

  • FabioCarvalho

    Ola, Textomuito bem desenvolvido, expressando a realidade do mercado atual. Pequenas e médias empresas do setor estão com dificuldades em investimentos,

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