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Opinião | Carlos Briganti |

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Carlos Briganti

05/11/2020

Produção global de veículos comerciais deve crescer 5% em 2021

China se manterá na liderança com 50% de participação; Brasil também avançará, mas com limitações

A pandemia da Covid-19 está provocando uma redução importante de 17% na produção global de veículos comerciais em 2020, indicando que alguma recuperação deva ocorrer só em 2021, mas ainda abaixo de 2019. No ano que vem, a perspectiva é de que os volume mundial chegue a 3,2 milhões de unidades, considerando a soma de caminhões e ônibus, um leve aumento de 5% sobre os 3,03 milhões que devem ser produzidos até dezembro deste ano. Neste cenário, a China, país origem da pandemia e o primeiro a retomar as atividades após o período de quarentena, deve encerrar 2020 com 14 pontos porcentuais a mais de participação na indústria global com relação ao ano passado, tornando-se a região com mais da metade da produção mundial de veículos pesados, liderança que deverá ser mantida em 2021.



Entre os segmentos, o de ônibus é um dos mais impactados negativamente em 2020 pela crise pandêmica, perdendo 2 pp de participação com relação a 2019, devido às restrições de mobilidade e distanciamento. Por outro lado, os caminhões pesados aumentam sua fatia de 61% para 64% na comparação anual, graças à necessidade de manter o abastecimento por meio do transporte de cargas de longa distância.



Em geral, o cenário global para 2021 aponta para a recuperação, ainda que não se tenha claramente qual é a extensão e o impacto do recrudescimento da pandemia na Europa e Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a China parece ter controle sobre os efeitos da pandemia.

CRESCIMENTO DE VEICULOS COMERCIAIS NA CHINA


A China é uma exceção dentro do segmento de veículos comerciais. Neste ano, o volume de produção no país está aumentando em 14% com relação ao ano passado, enquanto nas demais regiões a previsão média de queda é de 37%.



A introdução da nova legislação de emissões China IV durante o ano de 2020 é um dos motivos para a aceleração do mercado chinês. As mudanças já estavam previstas antes da Covid-19 e os limites se assemelham ao Euro 6 da Europa, com algumas diferenças.



Com isso, nenhum veículo que não atenda o mínimo da legislação anterior China IV (equivalente ao Euro 4) pode circular em regiões urbanas desde de Julho de 2020. Com isso, até o fim deste ano, o país terá em circulação nas regiões urbanas somente veículos comerciais que atendam as legislações China IV, V ou VI, e a partir de julho do ano que vem a legislação será estendida a todos veículos em circulação no país.

Como resultado a China está fazendo uma renovação de frota via legislação de emissões, o que explica a diferença entre crescimento/queda com as demais regiões do mundo. Vale destacar que com relação a ônibus, o país, assim como as demais regiões do mundo, também enfrenta queda, na ordem de 33% neste ano.

A legislação de emissões atinge os veículos movidos a combustão e na China, todos os ônibus em circulação nas regiões metropolitanas já são elétricos ou movidos a gás, conforme já informado no artigo exclusivo para o #ABPlan, em agosto de 2020: “O Futuro do Diesel em Veículos Comerciais” (leia aqui).

CENÁRIO PARA O BRASIL


Em termos globais o Brasil está representado como o grande produtor da América do Sul e as previsões publicadas por Automotive Business no fim de setembro estão alinhadas com as previsões globais. Estamos tendo uma recuperação em V, principalmente nas vendas do segmento pesado.



Em 2020, as previsões para produção estão muito próximas das de vendas, principalmente pelo desabastecimento causado ao longo da cadeia, como também pela queda das exportações. O crescimento da China também tem uma participação neste desabastecimento, uma vez que qualquer veículo comercial produzido no mundo está de alguma forma ligado a uma cadeia de suprimento que passa pelo gigante oriental.

Os primeiros problemas de abastecimento começaram com a parada de produção na China, tendo sido agravados posteriormente com as dificuldades logísticas da pandemia, e finalmente com o aumento na demanda interna da China, que foi a primeira região a se recuperar.

Para 2021, prevemos uma recuperação maior da produção de veículos comerciais com o balanceamento dos estoques ao longo da cadeia e alguma recuperação nas exportações. A produção agrícola deve bater novo recorde e o segmento de construção deve continuar aquecido graças às facilidades de crédito e taxas de juros.

Por outro lado, as incertezas do ambiente externo permanecem e do lado interno o grande dilema é como manter a recuperação dentro de um ambiente de dívida interna próxima do PIB, desemprego sem possibilidade de mais auxílio do governo e sem recursos para investimento em infraestrutura. Temos várias reformas sendo discutidas, mas pouco tempo para conseguir consenso para aprovação e implementação das mesmas no curto prazo e garantir credibilidade dos investidores tudo ao mesmo tempo. Muita esperança, mas precisamos de fatos que tragam confiança.

Carlos Alberto Briganti, managing director da consultoria Power Systems Research América do Sul.

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