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“O setor automotivo precisa ser capaz de fazer destruição criativa”, diz Gil Giardelli

Estratégia | 13/03/2019 | 20h49

“O setor automotivo precisa ser capaz de fazer destruição criativa”, diz Gil Giardelli

Segundo o especialista na era digital, as empresas precisam estar prontas para rever conceitos e desenvolver novas competências no Brasil

GIOVANNA RIATO, AB

Para encarar a era digital a indústria automotiva deve estar disposta a enfrentar um processo de destruição criativa. A recomendação é de Gil Giardelli, especialista em era digital, fundador da 5Era, consultoria que ajuda empresas a permanecerem relevantes em tempos de transformação e, ainda, professor convidado de instituições como ESPM, Fundação Dom Cabral e Insper. Segundo ele, a ideia é manter a capacidade de destruir criativamente produtos e ideias que não funcionam mais “antes que alguém o faça por você”, diz, citando a teoria do economista austríaco Joseph Schumpeter.

Além das funções que já acumula, Giardelli é embaixador de Futuros Inteligentes do #ABX19, Automotive Business Experience, maior encontro de negócios do segmento, marcado para o dia 27 de maio. O especialista diz que o processo de informação e conexão entre pessoas, cidades e fábricas é tão acelerado que a indústria precisa correr para desenvolver novas competências. “O setor automotivo não é mais só de graxa e máquinas, mas de cérebros e estrategistas”, diz. E complementa:

“Acima do carro ou de qualquer produto que você entregue, o que terá relevância no mercado é o serviço que economiza o tempo das pessoas. Esta é a era da experiência.”

A busca das pessoas, conta, é por “ser”, não por “ter” – algo que é um ponto de atenção para empresas acostumadas a vender veículos. Segundo Giardelli, para aproveitar estas novas oportunidades a indústria precisará ampliar horizontes, olhar para o potencial de oferecer serviços de deslocamento que conectem pessoas e rompam fronteiras. “Pensar em empresas de conexões urbanas, não apenas de carros, nos dá liberdade para desenhar novas soluções”, destaca.

SETOR AUTOMOTIVO NÃO MORRE, SE REINVENTA


Apesar do horizonte de transformação, Giardelli resiste a aderir a radicalismos. Segundo ele, as mudanças não farão com que a indústria automotiva conhecida hoje acabe, mas se reinvente. O desafio das organizações neste caso, é rever estruturas internas, repensar antigos hábitos e lutar contra a resistência à mudança. “As culturas tradicionais não podem expulsar os desobedientes da inovação ou alimentar medo e pessimismo diante do novo cenário”, defende. Ele lembra de alguns exemplos de processos de mudança do passado: a fotografia não matou a pintura, nem a televisão acabou com o rádio.

“Os profissionais precisarão fazer a gestão da complexidade: pensar e gerir o presente, o resultado imediato, enquanto trabalham para construir o futuro ao mesmo tempo”, diz.

Giardelli aponta que a economia brasileira se desenvolveu em torno da indústria automotiva tradicional e que agora é hora de repensar modelos. “O Rota 2030, por exemplo, não dá caminhos para a inovação radical. Cabe às empresas trabalharem por estes saltos localmente”, diz.



Tags: Gil Giardelli, inovação, era digital, transformação, cultura corporativa.

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