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Nissan deve definir novo investimento no Brasil em cenário de recuperação lenta
Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil: novos investimentos em estudo

Estratégia | 28/10/2020 | 22h30

Nissan deve definir novo investimento no Brasil em cenário de recuperação lenta

Compartilhamento de plataformas e motores com Renault está em estudo

PEDRO KUTNEY, AB

Depois de ajustar sua operação no Brasil, com redução de dois para apenas um turno de produção em Resende (RJ) com a demissão de 398 funcionários e baixar o número de modelos fabricados na unidade de três para dois – em setembro o hatch compacto March deixou de ser produzido –, a Nissan deverá nas próximas semanas começar a definir novos investimentos no País, que só devem acontecer a partir de abril de 2021, quando começa o ano fiscal japonês. A informação foi confirmada por Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil.


Segundo Silva, o novo plano estratégico da Aliança Renault-Nissan deverá ampliar a colaboração entre as duas empresas também no Brasil, com maior compartilhamento de plataformas conjuntas e motores – incluindo novos propulsores turbo que a Renault pretende produzir em São José dos Pinhais (PR) que poderão ser usados por modelos Nissan. “Houve mudanças na Aliança e nas próximas semanas deveremos ter reuniões para discutir os próximos passos nas diversas regiões. Primeiro vamos decidir quais projetos serão levados adiante e os investimentos associados. Até o fim do ano deveremos ter mais novidades nesse sentido”, explicou.

Enquanto essa definição não acontece, restam apenas dois modelos sendo produzidos em Resende, o Kicks lançado há quatro anos no Brasil e com renovação prevista para 2021, além do antigo Versa, fabricado aqui desde 2014 e que foi rebatizado como V-Drive para atender o mercado de entrada com volumes menores após a chegada esta semana da nova geração do Versa que começou a ser importado do México.

MAIS EFICIÊNCIA E COMPETITIVIDADE NA FÁBRICA BRASILEIRA



Marco Silva aponta que, apesar da redução na produção, a fábrica tornou-se mais produtiva e competitiva após os cortes. “Precisamos fazer a redução em Resende não por causa da reestruturação global da empresa, mas pela questão da retração do mercado causada pela pandemia, que paralisou por três meses a produção e quando voltamos não havia perspectiva de retomada no curto prazo”, explica. “Apesar do fechamento de um turno, ficamos mais eficientes, estamos produzindo 31 carros por hora e antes fazíamos 25 em dois turnos”, destaca.

O executivo avalia que a nova configuração da Nissan e da Aliança na América Latina é positiva para a operação brasileira da marca japonesa, porque amplia as oportunidades de produção e pode aumentar o portfólio de modelos. “Aumentamos a nossa plataforma produtiva com a criação da Nissan Americas, com fábricas no México, Argentina e Brasil que podem trocar produtos sem imposto de importação, além disso também deveremos ter mais integração com a Renault em São José dos Pinhais. Isso é bom, porque antes ficávamos isolados e agora estamos mais integrados à cadeia global da companhia”, afirma.

Nessa configuração, Silva destaca que os produtos serão localizados onde for mais eficiente produzi-los, como já é o caso do novo Versa, que em sua nova geração passa a ser feito no México para todos os países das Américas. No caso brasileiro, com a desvalorização cambial Resende ganhou força para produzir e exportar o Kicks para mais mercados, que até agora só era fabricado para Brasil e Argentina. “Com o câmbio favorável ficamos bastante competitivos e deveremos em breve começar a mandar o Kicks para países que antes eram atendidos com o modelo feito no México ou na Tailândia”, revela.

RECUPERAÇÃO LENTA E LIMITADA



Apesar da retomada das vendas de veículos no País de forma mais acelerada nos últimos meses, Marco Silva avalia que a recuperação ainda está lastreada por vendas que ficaram represadas antes da pandemia, além de pessoas que trocaram a viagem ou investimentos pela compra de um carro. Ele destaca também que o crescimento não atinge todos os veículos, só é maior para um número reduzido de modelos, e segue lento para o consumidor de varejo, que compra nas concessionárias. O maior apetite, segundo ele, está nas compras das locadoras, que estão recompondo suas frotas após o esvaziamento causado pela pandemia em abril e maio. “A velocidade da expansão depende muito de quanto os frotistas querem comprar e quanto as montadoras querem vender para eles”, pontua.

Nesse cenário, o executivo diz que a Nissan melhorou ligeiramente suas projeções para este ano, que antes apontavam para mercado em torno de 1,85 milhão de unidades e agora deve ficar acima de 1,9 milhão, talvez chegando mais perto dos 2 milhões. Para 2021 a previsão gira em torno de 2,5 milhões de veículos leves e só a partir de 2022 os volumes começariam a se aproximar do nível de 2019, quando foram emplacados 2,66 milhão de automóveis e comerciais leves no País.

Para Silva, alguns fatores limitam a retomada em ritmo mais acelerado: “Existe muita pressão de custos por causa do dólar alto e de matérias-primas que estão mais caras e em falta, principalmente o aço. Com isso a tendência é de aumento de preços dos carros, o que reduz o mercado”, analisa. “Também persistem muitas incertezas sobre como a economia vai reagir com a retirada de incentivos no ano que vem, além da própria pandemia que ainda não está controlada e provoca redução no ritmo de produção com os protocolos de saúde que precisamos adotar”, acrescenta.



Tags: Nissan, estratégia, investimento, indústria, mercado, Aliança, Renault.

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