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Cinco verdades que pessoas LGBTI+ do setor automotivo gostariam que você soubesse

Diversidade | 28/06/2021 | 19h57

Cinco verdades que pessoas LGBTI+ do setor automotivo gostariam que você soubesse

O que um engenheiro transgênero, uma analista de comunicação lésbica e três consultores especializados têm a compartilhar sobre inclusão no segmento

NATÁLIA SCARABOTTO, AB



Neste 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, ainda há pouco para se comemorar no setor automotivo. Em muitas empresas, a diversidade de orientação sexual e de identidade de gênero ainda é pouco representada. Mas há uma luz – bem colorida - no fim do túnel: é possível criar um setor com mais diversidade, inclusão e respeito.

Para entender quais as demandas das pessoas LGBTI+, AB Diversidade entrevistou colaboradores do setor automotivo e consultores de diversidade, que contaram suas experiências e deram dicas de como tratar o tema e fomentar a inclusão. Confira as 5 verdades que pessoas LGBTI+ gostariam seus colegas, gestores e empresas soubessem.

1 - “SOU UM SER HUMANO COMO QUALQUER OUTRO”



Quando Tancredo Neris foi convidado para participar do processo seletivo para a posição de supervisor de engenharia da Cummins Turbo Technologies, sua prioridade foi saber se o ambiente de trabalho respeitava a diversidade. “Sou um homem transgênero e na época estava começando a transacionar, ia começar a tomar hormônios e não queria passar nenhum tipo de constrangimento dentro do trabalho”, afirma.

“Na Cummins, tive todo o acolhimento necessário. Tive apoio da empresa até mesmo para cobrir custos das cirurgias pelo plano de saúde”, afirma.

Para o engenheiro, representar o T da sigla tem o ônus e o bônus. O desafio é enfrentar o preconceito e a LGBTfobia, principalmente no Brasil, um dos países com maior índice de violência contra pessoas LGBTI+.

“Fiz um post no Dia Nacional da Visibilidade Trans (29/01) e recebi comentários de pessoas que nem me conhecem falando ‘você vai para o inferno’ ou ‘isso não é de Deus’. Sou muito seguro em relação a mim, mas ler aquilo me fez mal, fez minha autoestima balançar. Pessoas que nem me conhecem estavam me atacando, de graça”, conta.



O ponto positivo para Neris é ter a missão de carregar a bandeira por mais respeito e equidade. “Além de mostrar o meu talento profissional, tenho a responsabilidade de mostrar que não sou um extraterrestre, sou um ser humano como qualquer outro”, diz o engenheiro. “Se eu não falasse que sou transgênero, as pessoas não saberiam. Mas não acho justo com todas as pessoas que ainda não conseguem entrar no mercado de trabalho por causa da sua identidade de gênero e orientação sexual. Eu me sinto privilegiado e preciso lutar para melhorar esse espaço e a vida dessas pessoas.”

2 – SOBRE A NECESSIDADE DE UM AMBIENTE ACOLHEDOR



A analista comunicação da Meritor na América do Sul, Nicole Soffner conta que ter um ambiente acolhedor e respeitoso é importante para que as pessoas possam assumir quem são. Apesar de nunca ter sofrido preconceito no trabalho, em seu primeiro ano na empresa, em 2017, ela não se sentia confortável em se assumir lésbica.

“Eu não via nenhuma bandeira LGBTI+, nenhuma campanha ou conversa sobre esse tema. E isso faz com que a gente fique retraído porque não tem certeza de qual é o ambiente. Então, eu evitava falar da minha noiva, por exemplo”, diz.



Ela conta que, aos poucos, foi trazendo a pauta: comecei a contar sobre ela e que vamos nos casar. Isso é importante para humanizar o tema. Tento sempre trazer exemplos de coisas que são heteronormativos e que pessoas gays também podem fazer, como casar.”

No ano passado, Nicole e outros colaboradores se mobilizaram para criar o grupo de afinidade LGBTI+ na Meritor da América do Sul, a exemplo do que foi feito na unidade do Reino Unido. Segundo a analista, a estratégia do grupo é promover conversas com o máximo de pessoas, LGBTI+ e heterossexuais, para quebrar tabus e levar informação sobre o tema.

“Minha dica para as empresas é: criem um ambiente acolhedor, inclusivo e seguro. Eu, como colaboradora lésbica, quero fazer parte dos eventos da empresa, quero poder falar, quero ter a segurança de levar a minha noiva em um evento sem ter medo de sofrer discriminação, por exemplo. Esse ambiente acolhedor a gente tem na Meritor e precisa ter em todas as empresas para que as pessoas LGBTI+ sejam quem são”, recomenda.

Entre diversas ações que as empresas podem promover, Nicole aponta principalmente estas: palestras e treinamentos sobre orientação sexual e identidade de gênero; ter um canal de denúncia para amparar pessoas que sejam vítimas de discriminação; e garantir que o respeito a todas as pessoas esteja na conduta da empresa, sem tolerar comentários ofensivos ou piadas de mau gosto.

3 – CONVIVER E OUVIR PESSOAS LGBTI+ É ESSENCIAL



Além dos treinamentos oferecidos pelas empresas, é responsabilidade de cada indivíduo buscar entender a realidade dos seus colegas de trabalho. Segundo os fundadores da consultoria Muda Disso, Rafa Vicente e Edu Nicola, isso pode ser feito a partir da convivência com pessoas de diferentes perfis e também consumindo conteúdos nas redes sociais.

“Procure ativamente conhecer e conviver com pessoas LGBTQI+. Isso pode ser feito no ambiente de trabalho ou na internet com fontes confiáveis, por sites ou redes sociais. Também é importante entender que cada letra da sigla representa diferentes pessoas, não dá para colocar todas em uma única experiência”, afirmam.



Além disso, eles apontam que é importante reconhecer quando fizer algum comentário discriminatório ou ofensivo. “As pessoas podem errar durante o aprendizado, então, precisam pedir desculpas, ouvir ativamente para entender o erro e refletir sobre o que fazer para prevenir de acontecer novamente.”

4 - COMPROMISSO GENUÍNO COM A CAUSA



No setor automotivo, as empresas precisam ter compromisso genuíno com a causa. Isso significa dar oportunidade para pessoas LGBTI+ de entrar no segmento mas também de crescer na carreira. “O maior erro de todos é a indiferença, não trazer essa comunidade para dentro da empresa, para o diálogo e para as oportunidades de ocupar cargos de liderança”, afirma Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. Segundo ele, a assertividade vem do diálogo com pessoas LGBTI+, mas também com aliados.

Além disso, ele aponta que é importante que as políticas de inclusão e respeito sejam sempre seguidas. “Não é uma questão de escolher quando adotar ou não. Os colaboradores devem sempre seguir essas políticas e aqueles que não respeitarem os demais, que não aceitarem ter colegas ou lideranças LGBTI+, devem ser repreendidos e, em casos mais graves, desligados da empresa”, diz. E enfatiza:

“As empresas não podem ser tolerantes com colaboradores que não respeitam as diferenças.”



Essa é a mesma visão de Tancredo Neris, da Cummins. “A sociedade aceita pessoas LGBTI+ em funções como cabeleireiro ou funcionário da limpeza, mas quando essas pessoas assumem cargos de gerência ou diretoria, passam a ser questionadas, as pessoas dizem que estão ali só por causa de cota”, afirma.

5 - CUIDADO COM A LINGUAGEM



Revisar o vocabulário e tomar cuidado com comentários ofensivos é outro passo importante para garantir o respeito à diversidade e inclusão. “As pessoas precisam revisar sua linguagem e as ditas ‘piadas’, muitas expressões podem ser gatilhos para momentos negativos que pessoas LGBTI+ vivem ou viveram”, afirmam os fundadores da Muda Disso.

Nicole Soffner, da Meritor, ressalta o mesmo. “Essas falas, geralmente, vêm em comentários com tom de curiosidade e de preconceito. Como uma pessoa lésbica, eu sempre questiono com educação, perguntando coisas como ‘mas você quis dizer isso mesmo?’ ou ‘você tem certeza que está me perguntando isso?’ É uma chance de a pessoa refletir sobre o que está dizendo e mudar”.



Tags: Dia do Orgullho LGBTI+, diversidade, inclusão, Meritor, Cummins, Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, Muda Disso.

Comentários

  • Tatiane

    Deixomeus parabéns a empresa,que seja exemplo para muitas.

  • Ricardotcacenco

    Parabénsa empresa,que juntos possamos vencer essa barreira e sermos o que somos sem nenhum preconceito ??

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